Era tarde de verão. O calor era de 35º, mas aparentava 50º. Toda turma decidiu sair para se refrescar, Giulia, tinha piscina em casa e resolveu fazer uma festa lá.
Era 14h26min todos estavam com seus trajes de banho, se esbaldando, como se tivessem 5 anos. Eu era a única que ainda estava de uniforme. Resolvi me sentar perto do arbusto, era o único lugar onde avia sombra. Minha presença era fútil, ninguém percebia que eu estava ali. Após um longo período, decidi ir embora, a única pessoa na qual me despedi foi dona Clara mãe de Giulia. Não queria ir para casa, decidi ser guiada por meus passos. Minha única companhia era meu MP5, ele era meu refugio.
Moro em Parati – Rio de Janeiro, não era difícil encontrar uma cachoeira; foi só andar mais um pouco e me deparar com uma. Ao perceber que estava sozinha, resolvi colocar meu biquíni. Saltei de uma rocha que se localizava próxima de mim – sem medo – agora, só me importava o vento em minha face. Era possível escutar o barulho das águas batendo nas rochas de longe. Meu celular tocava, fui nadando atender, era Luis, meu melhor amigo, ele estava na festa de Giulia e agora (após 3horas ) que percebeu que eu não estava mais ali, perguntou se tinha acontecido algo, respondi simplesmente estava cansada de pessoas ridículas; ele perguntou onde eu estava, após eu responder ele disse que estava vindo. O problema agora era eu. Não estou dentro do padrão de beleza perfeito, ao contrario, sou meio cheinha e tenho celulite.
Luis era o garoto mais bonito de nossa turma, muitos achavam ridículo ele ficar perto de uma garota que ama matemática, Luis nunca deu bola pra isso, pois segundo ele, amizade não é aparência e sim mente! Mas o que ele não sabia é que eu sou louca por ele e não tenho coragem de dizer isso. Toda vez que eu o vejo, sinto meu coração pulsar mais forte, como se eu fosse um imã e ele algo a base de ferro; mesmo quando estava frio, o abraço dele me fazia suar. Eu experimentei uma sensação que até então não conhecia. O que doía em mim era o fato dele ir nas baladas e depois vir me contar sobre as garotas que estavam lá e quantas ele “ficou”.
Enfim, ele chegou –para minha felicidade- já foi tirando a roupa e se jogando. Era impossível eu olhar pra ele e não querer tocá-lo. Luis veio se aproximando de mim, que estava atrás de uma planta. Falei que estava com vergonha, ele com aquele sorriso que me acalma falou que não se importa com o que eu aparentava e sim o que eu sou. Aquilo me arrepiou, como nunca.
Resolvi largar de besteira e ir ao seu encontro. Devo confessar que foi o melhor dia da minha vida.
Já era tarde. Nos arrumamos e fomos embora, ele disse que me levaria até em casa – um ato difícil entre os garotos- entrando na rua de casa, ele disse que precisava me contar uma coisa. Ele para, olha nos meus olhos, fica pensando nas palavras. Eu abaixei a cabeça séria, e a levantei com um sorriso, não sei de onde tirei coragem mas falei ‘ não precisa dizer, seu olhar já diz tudo’ ele sorriu, se ele falou mais alguma coisa não percebi, estava muito ocupada ao perceber que os seus lábios tocavam os meus.
Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo...
Nenhum comentário:
Postar um comentário